Só me fala que vai me aturar. Aturar todas as minhas crises de ciúmes, meus momentos - não tão raros - sem paciência, as minhas desconfianças e meus surtos de insegurança. Aturar meus dramas, minhas teimosias, minha arrogância, minhas piadas sem graça e o meu não-romantismo. Aturar todos os meus tipos de provocação, meu amor por outras pessoas, minhas mudanças inconstantes de humor e de temperamento. Aturar minha mente confusa, minha memória irritante, minha sinceridade exagerada. Aturar quando eu falar que te amo mais e também quando eu não falar que te amo. Aturar e segurar tudo não por mim, nem por você… Mas por nós.
Talvez eu só precise de um tempo para colocar as coisas no lugar.
Mas eu acredito em amor verdadeiro sabe? Não acredito que todo mundo possa continuar tendo dois olhos nem que possa evitar ficar doente, e tal, mas todo mundo deveria ter um amor verdadeiro, que deveria durar pelo menos até o fim da vida da pessoa.
Qualquer leitor vai me entender. Um bom leitor sabe como é desesperador a espera por um livro e a alegria que dá quando ele chega. Você desembrulha, olha, admira, depois tira o plástico e cheira, cheira, cheira, cheira como se as folhas fossem entrar pelas suas narinas até chegar ao seu cérebro. Mas, dá uma pena de ler, porque você sabe que vai terminar rápido. A gente nunca quer que termine, parece que a vida vai perdendo o sentido. E Depois que termina a gente já está esperando por outro e aquele fica bem guardado e bem longe de umidade, poeira, luz e pessoas que venham pedir emprestado. E o ciclo continua.
Mais bom dia, boa tarde e boa noite. Mais educação. Mais com licença, de nada, me desculpa, obrigada, por favor. Mais livros. E mais leitores. Mais cheirinho de casa limpa e roupa nova. Mais feriado. Mais dias de sol e vento no rosto. Mais outono e primavera. Mais namoro. Mais mãos dadas. Mais abraços acolhedores. Mais conforto. Mais carinho nas costas. Mais massagem nos pés.

- “Iansã, Cadê Ogum?”
- “Foi pro mar!”
- “Mas Iansã, Cadê Ogum?”
- “Foi pro mar!”

Iansã penteia
Os seus cabelos macios
Quando a luz da lua cheia
Clareia as águas do rio.
Ogum sonhava
Com a filha de Nanã
E pensava q as estrelas
Eram os olhos de Iansã

- “Mas Iansã, Cadê Ogum?”
- “Foi pro mar!”


- “Iansã, Cadê Ogum?”
- “Foi pro mar!”


Na terra dos orixás
Um amor se dividia
Entre um deus que era de paz
E outro deus que combatia
Como a luta só termina
Quando existe um vencedor
Iansã virou rainha na coroa de xangô

- “Mas Iansã, Cadê Ogum?”
- “Foi pro mar!”


- “Iansã, Cadê Ogum?”
- “Foi pro mar!”

- “Mas Iansã, Cadê Ogum?”
- “Foi pro mar!”


- “Iansã, Cadê Ogum?”
- “Foi pro mar!”

- “Mas Iansã, Cadê Ogum?”
- “Foi pro mar!”


- “Iansã, Cadê Ogum?”
- “Foi pro mar!”